sábado, 1 de janeiro de 2011

SOBRE EXPECTATIVAS E PERSPECTIVAS Reflexões para 2011, em torno de COP15, COP16, Dilma e os 33 mineiros do Chile

Há exatamente um ano iniciávamos 2010, ainda aturdidos pela ressaca da COP15 – a reunião das partes signatárias da Conferência do Clima, da ONU. Depois da mobilização sem precedentes - que em apenas quatro meses levantou um abaixo assinado global com 18 milhões de assinaturas e realizou milhares de eventos por todo planeta, galvanizando a opinião pública mundial e culminando com a marcha de cem mil pessoas pelas geladas ruas de Copenhague – a sensação geral era de frustração.  Apesar de toda pressão e das altas expectativas, os chefes de Estado e o Governo lá reunidos não conseguiram produzir sequer um arremedo do urgente acordo climático justo, ambicioso e comprometido que o mundo demandava (e ainda demanda).
 Uma sombra de desapontamento obscurecia fatos memoráveis: uma rede mundial e multifacetada da sociedade civil se ampliara e fortalecera. Novos aprendizados e instrumentos de mobilização e articulação foram criados. Poderosos agentes, como empresas globais e governos sub-nacionais, haviam avançado compromissos com propostas concretas e efetivos planos de ação. A questão do clima definitivamente deixava de ser assunto só de cientistas e ambientalistas.
Apesar desses grandes sucessos, a sensação final era de fracasso.
Já em 2010, há menos de um mês, a COP16 deixou um sabor de conquista apesar de ter sido uma reunião pautada por baixas expectativas, com parca mobilização da sociedade civil, escassa presença de lideranças mundiais e pouca cobertura da mídia. Sabor estranho, se considerarmos que – objetivamente – os avanços obtidos foram modestos, quase nulos. A sensação de vitória em Cancun na população em geral vem essencialmente da reversão das expectativas negativas: não foi tão ruim, parou de piorar... O pessimismo foi estancado, e agora podemos de novo olhar pra frente.
Numa aparente paradoxo, a reunião das grandes conquistas terminou marcada pela frustração, enquanto a outra, modesta, se inscreve como vitória. Isso, em grande parte, devido ao descompasso entre expectativas e resultados.
Em 2010, outro acontecimento foi exemplar quanto ao papel das expectativas: o caso dos “33 mineiros do Chile”.  A meu ver, o mais crucial ensinamento dessa história – o que de fato definiu o seu lugar nos corações e mentes de milhões de pessoas em todo o mundo – não veio da solidariedade, da disciplina e da capacidade técnica que permitiram a saúde física e mental dos soterrados e o final feliz de seu cinematográfico resgate. A chave de tudo foi a brilhante gestão das expectativas, desde o começo.
Lembro muito bem: em 05 de agosto ocorreu o desabamento. Uma semana depois, o ministro chileno avisa que “são escassas as chances de encontrar alguém com vida”. Após mais dez dias, uma boa surpresa: os 33 estão vivos, mas presos a 700 metros de profundidade. Em 23 de Agosto, numa tacada decisiva, o presidente chileno define as expectativas: “se tudo der certo, eles voltarão para casa apenas no Natal.” Será um trabalho longo, difícil e arriscado. A promessa é de mais quatro meses de espera, trabalho e agonia. O resto todo mundo sabe: dia 13 de Outubro, em “apenas” 69 dias o resgate termina, coberto pela mídia global como se fosse a chegada de astronautas a Marte. Ninguém reclama do “erro” de quase dois meses (para mais) nas expectativas iniciais.
E se tivesse sido o contrário? E se na ânsia de dar boas notícias o presidente chileno tivesse dito algo como “em algumas semanas, no máximo dois meses, sacaremos os 33 da mina”? O mesmo resgate provavelmente seria lembrado de modo bem pior: “deu certo, apesar do atraso de duas semanas...”, diriam os jornais. A chave do sucesso foi jogar lá embaixo as expectativas iniciais. A partir disso, todas as notícias soaram melhores.
Hoje tomou posse a presidenta Dilma Roussef. No campo da sustentabilidade, as expectativas giram em torno de PACs, pré-sal, grandes obras... enfim, desenvolvimentismo à moda antiga. Ficaremos felizes se não for tão ruim quanto se imaginava? Ou devemos seguir mantendo altas nossas expectativas, lutando pelo que achamos certo e necessário?
Essas perguntas lembram que a fórmula mágica da redução de expectativas traz em si a armadilha do imobilismo, do conformismo. Levada ao extremo, a receita do sucesso e da felicidade seria não esperar nada, para depois se contentar com pouco. Triste cenário, sem paixão nem progresso. Por outro lado, esperar ou prometer demais geralmente é um caminho para a frustração. E agora?
Uma primeira consideração é quanto à razão pela qual queremos definir expectativas. Uma coisa é administrá-las num contexto de comunicação, de negócios ou campanhas, em que elas são, antes de tudo, um instrumento de gestão. Neste caso, a dosagem pode e deve ser definida em função dos objetivos a serem alcançados e outras considerações pragmáticas, sempre com o devido cuidado para se evitar a manipulação das esperanças alheias.
É quanto às esperanças próprias minha segunda consideração. Nesse caso, o único jeito é sermos fiéis a nós mesmos. A razão pode nos ajudar a lidar com a realidade, mas, no fundo, nossas expectativas são reflexos de nossos sonhos, se alimentam de nossos desejos. E são estes que nos guiam, que nos fazem progredir e prosperar, com emoção, garra, determinação e criatividade. São o que nos move, o que não deve ser castrado nem pode ser sufocado. E que, em termos de sustentabilidade, nos coloca o desafio de aprendermos, cada vez mais, a desejar o desejável.
Pensando nisso, lembro a famosa oração em que pedimos “serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para mudar as que podemos, e sabedoria para distinguirmos umas das outras” e,  acrescento eu, a capacidade de termos sonhos que inspirem nossas vidas, tornando-as significativas, férteis e sustentáveis!
Avancemos, pois, com os pés no chão, a cabeça no lugar e o coração nas nuvens.
Que 2011 seja um ano de sonhos e realizações!!!
-o-

Permitida a reprodução, desde que citada a fonte: Aron Belinky (aron@ecopress.org.br)

domingo, 27 de junho de 2010

Idéia Socio Ambiental publica matéria sobre ISO 26000

A edição de junho de 2010 publicou matéria de 3 páginas sobre a ISO 26000, os processos que envolveram mais de 400 especialistas no mundo para definir a primeira norma de responsabilidade social da história.
Vale a pena ler pois esta norma deverá impactar substancialmente o mundo.

sábado, 3 de abril de 2010

Consumo, Cidadania e a Construção da Democracia no Brasil contemporâneo

 A dissertação de mestrado que apresentei recentemente tratou de vários aspectos relacionados ao desenvolvimento da conscientização do consumidor no Brasil do final dos anos 70 até os dias de hoje tendo por referencia o estudo, em profundidade, do caso do IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor.

Veja a íntegra do trabalho: clique no título para abrir o flipbook.  Lá você pode ler on-line ou baixar em formato pdf.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

2009 Business Review Directory Brazilian American Chamber of Commerce

Artigo publicado na editoria sobre Regulações e outras Iniciativas.
" A Matter of Trust and Participation: the ISO 26000"

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Biografia

Aron Belinky, pesquisador e consultor, especialista em responsabilidade social, sustentabilidade e consumo sustentável , tem formação em Administração Pública pela FGV-SP e Geografia pela USP. É Secretário Executivo da Ecopress - a 1a agência brasileira de notícias ambientais e do GAO - Grupo de Articulação das ONGs brasileiras na ISO 26000 (Responsabilidade Social), com atuação destacada junto ao grupo de trabalho internacional para construção dessa norma. Nos últimos anos ministrou dezenas de palestras para o público empresarial e acadêmico sobre os temas de sua especialidade, tendo também prestado consultoria a empresas e entidades como a Fundação Getúlio Vargas-FGV, Instituto Ethos, Instituto Akatu e Fundação Dom Cabral.

Através do GVces, foi um dos responsáveis pela revisão do ISE/Bovespa (Índice de Sustentabilidade Empresarial) em 2006, 2007 e 2008. Presta serviços de planejamento e orientação na implantação de projetos de engajamento comunitário e estruturação do investimento social privado para grandes empresas. Escreve regularmente sobre sustentabilidade e cidadania em diversos veículos de primeira linha da imprensa nacional. Participou como palestrante em seminários na EAESP/FGV; PUC/SP e FIA/USP, entre outros. Colabora com o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) na elaboração dos Cadernos de Governança Corporativa (“Sustentabilidade e Governança Corporativa” - já publicado - e “Governança de Organizações do Terceiro Setor – em estudo). Foi membro do júri dos prêmios “Eco”, (da Amcham- American Chamber of Commerce); “PNBE de Cidadania”; “Planeta Casa” (da Revista Casa Cláudia) e “Responsabilidade Social no Varejo”, (do Centro de Excelência do Varejo - CEV/FGV).

Atua também como Consultor de Pesquisas e Métricas do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, desde setembro/2003. Neste período foi responsável, entre outros projetos, pela realização das seis pesquisas do Akatu sobre comportamento do consumidor e práticas de RSE pelas empresas brasileiras; pela coordenação geral e implantação inicial do movimento “CUIDE-Consuma sem consumir o mundo em que você vive”; pela produção da série temática “Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito”* e pelo desenvolvimento do Centro de Referência Akatu pelo Consumo Consciente, incluindo a criação da Escala Akatu de RSE e dos Indicadores Akatu de Consumo Consciente. É fundador e dirigente da Ecopress – a primeira agência brasileira de notícias ambientais.

Anteriormente foi empresário das áreas de serviços de engenharia/ar condicionado (1986 a 1994) e de comunicação e marketing (1995 a 2003), tendo atuado também em diversas iniciativas da sociedade civil na área ambiental e empresarial.

Participou da fundação da SOS Mata Atlântica e da Pró-Juréia, que dirigiu entre 1986 e 1991. Como vice-presidente da ABRAVA - Associação Brasileira das Empresas de Ar Condicionado e Refrigeração - foi responsável pela representação do setor na Conferência Mundial Rio-92, na negociação do processo de implantação do Protocolo de Montreal no Brasil e na criação da primeira iniciativa brasileira para reciclagem de CFCs.

* A série temática “Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito” compõe-se de um conjunto de quatro publicações, elaboradas em 2005/2006, com o objetivo de estabelecer uma base de conhecimentos e de instrumentos para ações de mobilização social e de comunicação, tendo como eixo a união entre educação financeira e educação para a sustentabilidade. Representa uma abordagem inovadora e ampla sobre estes temas, transitando desde os fundamentos do sistema financeiro e dos conceitos de crédito, juro e moeda, até os processos comportamentais, culturais e éticos que governam as decisões econômicas de cada indivíduo. Aborda tanto aspectos teóricos e conceituais, quanto estudos de caso e aplicações práticas no dia-a-dia de consumidores e empresas.